terça-feira, 18 de dezembro de 2012

dois mil e doze

Sou contra a listinha de desejos para o ano novo, assim como também sou contra a listinha de sonhos e objetivos para o ano seguinte. Eu já cometei sobre isso aqui uma outra vez. Afinal de contas é apenas mais uma madrugada, é apenas mais um dia que muda. Não posso negar que adoro relembrar, não (só) no final do ano, mas no dia que me dá vontade, desses assim que a gente abre o flogão e começa a ler textos antigos. Eu gosto de ver a retrospectiva de final de ano na Globo. Eu gosto de manter as boas lembranças vivas na cabeça.
Desde de novembro tenho pensado em como 2012 demorou a passar, desesperadamente. Comentei sobre isso em um dos últimos posts inclusive! É como se o último reveillon tivesse acontecido há uns 2 anos atrás! Mas nada de uma forma negativa, o ano foi excelente!
Eu sempre tive na cabeça que as coisas boas da vida passavam rápido, de uma forma que quando eu me dava conta já tinham acabado. Em meio a tantos textos de reflexão  de final de ano eu me deparei com um que dizia que o tempo só passa muito rápido quando a gente cai na rotina, quando a gente não vive de verdade, não experimenta coisas e pessoas novas. E bom, eu tive que mudar meu conceito sobre o tempo.
É essa a explicação de 2012. Eu experimentei tanto, conheci tanto, vivi tanto, fui para tantos lugares.
Foi realmente um ano incrível! Daqueles para não colocar defeito em nada! Daqueles de olhar para trás e pensar: não vou viver nada melhor do que isso em toda minha vida! E talvez eu até viva, talvez não. O importante é que eu preciso fazer uma típica e clichê retrospectiva, eu preciso tentar resumir toda a felicidade de longos e intensos doze meses. E eu sempre gostei do número 2 de qualquer forma...
Janeiro: como sempre é o mês das visitas. o mês da praia e dos passeios de turistas pela Cidade Maravilhosa, me desculpe se eu moro onde você costuma passar as férias! :p O ano começou com as amigas mais fofas na minha casa. Dane e Nessa. Passamos um final de semana chuvoso, mas muito divertido! Naquele sábado de manhã Dane colocou o ovo na janela e fez dança do sol. Mas não deu muito certo...Depois alguém precisava ir trabalhar (a Nessa) e a Dane ficou aqui torrando comigo no sol e fazendo passeios turísticos.
Fevereiro: mais um Carnazoof que dispensa comentários e depois mais visitas em casa. Tia Sil, Tio Zezinho, Sis e mais um monte de passeios. E mais sol e praia. Nessa altura do campeonato eu já estava morenaaaa carioquíssima! Ilha de Paquetá linda (sqn) e trilha na pedra do voo livre na Gávea. (eu preciso colocar duas fotos desse mês!)
Março: Cheguei em Florianópolis. Foi um mês longo e estranho. Cheio de novidades, cheio de adaptações. cheio de aulas e professores incríveis. Foi um mês que eu queria muito e a toda hora. Por isso que foi longo (de novo a comprovação do lance do tempo). Eu tinha vários pré-conceitos formados sobre o JOR UFSC. Ficava assustada a cada aula, com cada mudança e desejava loucamente entender a lógica de tudo aquilo. Sem perder tempo, teve um feriado e eu corri para o Bato Carrero World. É o que vale a foto do mês!
Abril: Começam as aulas práticas na UFSC e por um momento eu tenho dúvidas se é tudo isso que eu quero. Não porque eu não estive gostando ou algo assim, mas pela dificuldade de produzir e ser boa nisso. Mas a cada aula eu me apaixonava mais, a cada aula eu tinha mais vontade de fazer aquilo. O que restou foi me dedicar e mostrar, principalmente a eu mesma, que eu era capaz! Que eu podia, queria e deveria aprender a fazer aquilo! Foi um mês desafiador e lindo, eu quebrei pré-conceitos próprios, foi uma luta diária comigo mesma.
Maio: foi quando eu me dei conta de que eu iria embora logo. Foi quando eu me dei conta que já estava completamente apaixonada por Florianópolis e que eu já tinha um monte de amigos e pessoas muito fofas por perto. Foi o mês dos passeios, da curtição, dos sábados de turismo. Foi o mês de curtir e entender porque chamam a cidade de Ilha da Magia!
Junho: Deve ter sido o mês mais longo e intenso de todo o ano. Foi final de semestre, com trabalhos, provas e afins. Eu apresentei o Conexão UFSC, teve a Boa Noite, a cobertura da EuroCopa e o nascimento do Salto Alto Futebol Clube e no final do mês ainda veio a Intercom Sudeste em Ouro Preto. Foi um mês de muito aprendizado, de muita tensão e de cada vez mais proximidade com os pseudo-jornalistas catarinenses. Foi um mês de sessão de filmes e almoços de domingo com as meninas lá da pensão. Foi um mês de Festa do Pinhão e foi frias. Foi um mês deliciosamente frio. Depois veio mais uma viagem. Intercom Sudeste. Eu voltei ao mundo ruralino com minhas amigas por perto. Eu dei risada daquelas piadas que só a gente entende. Eu senti de novo aquela irmandade e aquele companheirismo de amigas, daquelas da sua sala. Eu vi que estava com tantas saudades daquelas pessoas e que elas se tornaram tão tão especiais para mim! E eu me apaixonei por Ouro Preto. De um jeito indescritível! Ladeiras, histórias, lendas e muita muita diversão! Falando em diversão, andar de trem foi realmente incrível e chegar na cidade que tudo tem seu nome, isso sim é divertido! (esse mês merecia umas 5 fotos, pelo menos. vou me contentar com duas!)

Julho: Foi o mês da despedida. Eu não vou me atrever a citar nomes sendo injusta e esquecendo de alguém. Mas o que dizer de amigos tão fofos a ponto de criar uma hastag com #FicaMariDias ? Caraaa eles me fizeram chorar durante a última semana toda de aula. Cada vez que eu chegava em casa e ligava o facebook era um com um textinho fofo ou um comentário propício. Minha eterna e querida 11.2, minhas eternar e queridas divas do SAFC. E mais alguns agregados. E mais as meninas da pensão. (cara, eu morro de saudades dos domingos, sério!) E lá pro finalzinho do mês teve outra data muito importante: o primeiro casamento de uma amiga! Nem precisa dizer que eu entrei em crise de velhice e tals né? Mais foi lindo demais! E eu ainda conheci Goiânia. Quente e seca! (rsrs)
Agosto: FÉRIAS! Um mês inteiro pelas estradas viajando em família. Não existe coisa melhor. Tudo que eu pedi a Deus! E ainda com algumas semanas bônus em Campinas! Franca, Jaú, Ribeirão Preto, Itajubá, Caldas Novas, Jacareí, Campinas, Barretos, Trindade, Paraty, Ubatuba... e até plantei uma árvore pelo caminho!
Setembro: foi quando eu voltei mesmo para o Rio, voltei para a minha casa e tentai criar uma rotina. Tentei rever os amigos e me sentir em casa. Foi a tentativa de fazer tudo voltar como antes. A única coisa que não me dei conta é que era impossível ser como antes, porque o Rio de Janeiro já não era o mesmo, assim como eu também não era a mesma de quando deixei a cidade 5 meses antes. Um feriado com os ruralinos em Niterói foi o acontecimento notável do mês.
Outubro: a primeira viagem para o exterior fica cada vez mais próxima. Os dias demoram a passar e nada parece muito interessante. Comecei a trabalhar com afinco para juntar dinheiro com a finalidade de transformar tudo em libras depois. Pouca coisa acontece, os finais de semana passam a ser dentro de casas de festas infantis com crianças gritando e ar condicionado forte. Me distraiu, me fez sobreviver. Trabalhar realmente edifica o homem (: Fui em um espetáculo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro pela primeira vez. E eu nem preciso explicar a emoção né? (até porque não conseguiria). Foi mágico!
Novembro: o acontecimento do mês foi o feriado gigantesco e prolongado que emendou um no outro e foi lindo. Fiquei 5 dias em Campinas. E melhor de tudo, foi na estréia do Amanhecer, parte 2. E depois de ver todos os filmes da série no cinema juntas, eu e Maisa sentamos no final de semana da estréia para ver o filme. Na minha opinião humilde o melhor de todos! Eu também conheci finalmente o São Firmino, e apensar de ter me divertido muitíssimo eu ainda era mais feliz com a Happy News. No final do mês, depois de muito muito muito trabalho a 2° Comunicar aconteceu. Foi uma semana inteira em Seropédica, depois de quase um ano. Foi uma semana longa, chuvosa, cansativa e intensa. Eu estive perto de pessoas que não costumavam ser minha companhia diariamente enquanto estava na Rural. E fui muito feliz. (ainda não escrevi sobre isso, mas vou faze-lo logo, prometo). Em suma, além do (ótimo) resultado final da Comunicar, eu conheci pessoas do meu curso, pessoas muito legais inclusive. Pessoas que pensam como eu, ou que pelo menos discutem algum ponto junto a mim. Interessante e interessadas. Foi uma semana com bons resultados e um largo sorriso no rosto na sexta-feira.
Dezembro: mesmo não tendo acabado eu sei que nada de melhor vai acontecer além de ter visto e tocado e conversando com Claudia Leitte. Eu descrevi em detalhes no último post e já surtei tempo suficiente na internet para comentar mais sobre isso.
Dispenso mais comentários sobre dois mil e doze. Que venha dois mil e treze, que venha cheio de sorrisos e momentos incríveis como esse ano. Que venha logo, porque eu já estou morrendo de calor e espero ansiosamente o inverno europeu. Que venha logo, mas que passe bem devagar, que passe cheio de momentos, cheio de desafios, cheio de descobertas e cheio de novidades!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

sobre ser fã

Eu terminei de ver o jogo do Corinthians hoje pela manhã e fui até o Barra Shopping. Eu não sabia o quão cedo eu precisava chegar para conseguir uma senha para a sessão de autógrafos.
Quando entrei na Fnac pela primeira vez no dia, o meu estomago subiu no pescoço, como se eu tivesse descendo uma queda de 90° numa dessas montanhas-russas gigantescas.
Fiz algumas coisas no shopping, comprei meu DVD Nega Lora e fui almoçar. Na volta coloquei meu nome e da mais nova companheiras de aventuras, Tamy.
E daí sentei em um banco qualquer, coloquei fones de ouvido ao som de Nega Lora e relaxei. Eu sabia que o dia seria longo. Lá pelas 16h eu comecei a ficar impaciente e nervosa. As senhas começariam a ser distribuídas as 17h. Dentre uns tweets e outros eu vi Claudia Leitte dizendo: Lendo as cartas da sessão de ontem na Fnac Morumbi. (ou algo nesse sentido) e me deu um estalo: eu preciso escrever uma carta! Corri até a papelaria dentro do shopping, comprei um bloco de folhas, uma caneta e um envelope. Voltei até a porta da Fnac e ali na entrada comecei a rabiscar uma carta. Escrevi tudo que eu precisaria falar para ela. Tudo que estava planejado para eu falar quando a visse, mais tarde, pessoalmente.
As senhas começaram a ser distribuídas, a Tamy chegou e depois já com a senha nas mãos nós fomos fazer um lanche. Comi batatas fritas e coca-cola.
Voltamos para a livraria e resolvemos sentar no café onde aconteceria a sessão de autógrafos para esperar ela chegar e depois irmos para a fila. Papo vai, papo vem, correria dentro do café, e percebemos que estávamos sentadas bem no corredor que vinha da cozinha, por onde ela chagaria. Surtei. Comecei a ficar impaciente, a sessão estava marcada para as 19h e ela não chegava. O dia até passou rápido, mas nessa hora demorava tanto. E eu olhava no relógio de 5 em 5 min. E olhava o twitter e nada daquela canttora dar sinal de vida. Eu suava frio. Tinha as mãos congeladas e molhadas de suor. E ela apareceu, eu vi um pedacinho de seus lindo e loiros cabelos por de trás do segurança que escondia. Assim que ela pisou no café, olhou para onde a galera estava gritando e ficou de costas para mim. Eu coloquei a mão em seu braço e ela virou. Cara, eu toquei em Claudia Leitte! O mundo parou. E ela olhou para mim! Ela é realmente de verdade! Chorei. Tentei tirar um foto, ela posou fazendo biquinho. Mas adivinhem: a foto não saiu. Ainda bem que eu tinha uma pessoa menos surtada ao meu lado que conseguiu pelo menos tirar foto. Ela passou, possou para fotos de novo, abraçou umas pessoas, sentou e começou a autografar. Ficamos eu e Tamy esperando chegar no número 83 e 84 para entrarmos e autografarmos nossos DVD e conversamos com aquela linda bonequinha sentada na mesa de vidro. Papos e perguntas na fila com outros fãns, daqueles que nunca viram, daqueles que veem quase sempre. Pouco mais de 1h e meia depois eis que entramos. Eu fui primeiro enquanto a Tamy tirava foto. Começou a tocar Telegrama bem nessa hora. E segue a reprodução do diálogo com ela. O mundo parou parte 2.
Eu: ... (só olhava e nada saia da minha boca)
CL: Respira, fica calma...
Eu: ... Eu, eu nuca... é a primeira vez que te vejo.
CL: E você está feliz?
Eu: Sim, é o dia mais feliz da minha vida, eu tô muito feliz!
CL: Qual seu nome?
Eu: Mariana
CL: Mari... (enquanto autografava meu DVD).
Eu: Eu escrevi essa carta, porque eu sabia que não ia conseguir dizer nada, então está tudo escrito aqui tá!
CL: Obrigada querida.
Eu: Nossa, eu te amo tanto, eu gosto tanto do seu trabalho.
CL: Obrigada! (...) Deixa eu ver essa unha...
Eu: (mostro minha unha)
CL: Linda!
Eu: Obrigada.
E daí alguém me puxou e me levou embora, eu nem sei como, mas quando eu vi eu já estava longe... E só deu tempo de falar: Você é uma pessoa muito iluminada! Sucesso...
E daí a Tamy já estava na mesa falando com ela, e eu peguei a câmera para tirar fotos enquanto tentava parar de tremar para alguma delas prestar. E logo em seguida a Tamy também foi tirada de lá e quando a gente tava indo embora ela falou: Vocês duas tem as unhas mais bonitas que eu já vi até agora. E só deu tempo de eu mandar um beijo, de longe e ela me mandou outro. E não foi desses que ela manda em cima do palco e que todas as vezes eu digo que é para mim, esse ela mandou olhando em meus olhos! Foi só meu!
E bom, parece uma conversa tosca reproduzida assim, escrevendo. Mas tudo foi recheado com olhares carinhosos e atenção exclusiva. De todos os artistas que conheci, de todos os relacionamentos com os fãns que eu já vi, essa foi a primeira vez que eu vi um tratamento tão carinhoso, com todos. Absolutamente todos os fãns!*
E depois, quando passa tudo e as coisas deveriam entrar no lugar, as memórias ainda vem a tona, um olhar, um abraço, uma música.
Hoje, enquanto eu escrevia a carta, eu tentava pensar e justificar como e porque alguém vira fã de outra pessoa. Conclui que é amor. Que a gente não explica, não entende, não faz sentido. Eu fiquei o dia todo dentro de um shopping para ver uma pessoa que nem vai me reconhecer se passar ao meu lado amanhã na rua. E não sai de lá arrependida, eu faria isso um milhão de outras vezes. E depois de modo com que ela me tratou, depois da verdade que era seu olhar hoje, eu faria isso muito mais de outras milhões de vezes.
Porque ser fã é isso, é estar ao lado, acompanhando e admirando a vida de alguém. Só pelo carinho, pela admiração. Pelo que o artista é, e pelo que ele representa em sua vida.

Eu sei que é clichê, mas eu preciso agradecer por ter a oportunidade de ser fã de alguém que se importa tanto com todos esses seguidores, com todas essas outras pessoas que acompanham a sua vida e que se alegram e sorriem junto com ela.
Eu tenho orgulho de dizer que sou fã de Claudia Leitte, principalmente depois de conhece-la pessoalmente hoje.
Quero e quero de novo.

Segue as fotos da noite







*não me responsabilizo pela total veracidade da cena descrita, eu certamente esqueci detalhes e conversas.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

a vida parou

Aquele momento em que sua vida meio que para e você não consegue enxergar um caminho para seguir. Como se todas as portas tivessem se fechado e como não fizesse sentido nenhum nada do que você está fazendo. Até porque você tem feito pouquíssimas coisas e talvez esse sentimento de nada faz sentido seja exatamente esse.
A vida parou e eu tenho horror a ficar parada. Me acostumei a ter algum tipo de estímulo, a ter motivos para levantar da cama todos os dias. Me acostumei a te rum objetivo e uma busca.
Aquele momento em que você pensa em tudo que planejou para sua vida e vê que não realizou nem metade do que queria e que percebe que o tempo não para nunca. Sábio mesmo era o Cazuza, que já sabia disse desde a década de 80.


Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara
Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não para
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro
Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para

terça-feira, 18 de setembro de 2012

quantas outras eu poderia ter sido?


Me peguei pensando sobre como seria minha vida se eu tivesse seguido por outro caminho. Nunca tinha de fato reparado quantas escolhas eu já fiz, quantas coisas eu já deixei para trás, quantas outras possibilidades de vida eu poderia ter tido. Melhores? Piores? Mais felizes ou não? 


Na verdade eu nunca saberei o quanto eu seria mais feliz ou mais triste se tivesse escolhido mudar de academia de ballet aos 8 anos. Talvez eu tivesse me formado e me tornado um grande bailarina, uma grande professora. Talvez eu tivesse chego a mesma conclusão depois de um tempo e abandonado o ballet. E será que eu sorriria ao saber que tudo deu certo? Ou será que eu ficaria pensando que seria mais feliz se tivesse feito uma faculdade e me formado jornalista? 

Na verdade eu nunca saberei se eu seria mais feliz se eu tivesse escolhido ir para qualquer outra escola na 5° série. Porque isso mudaria toda a minha vida, todos os meus amigos, todos os meus amores. E quem sabe isso mudaria até meus objetivos de vida, minha futura profissão. Quem sabe eu não teria virado médica? Acho que eu não teria ido tanto ao cinema e me apaixonado pela telona. 

Na verdade eu nunca saberei se eu seria mais feliz se eu tivesse correspondido um amor no 1° colegial. Daqueles que quando você olha para o garoto hoje você nunca entende porque mesmo não quis tentar? Será que eu seria mais feliz se tivesse focado menos no estudos e mais no amor, e mais na dança, e mais na arte e mais nas baladas antes do tempo? 


Na verdade eu nunca saberei se eu seria mais feliz se eu tivesse me conformado em ficar em Campinas, em ter uma vida estável e não experimentar o doce gosto da mudança, da renovação. E então eu provavelmente casaria com alguém que estudou comigo ou com um vizinho que esteve sempre por perto e eu nunca reparei. Então eu teria virado professora de ballet e estaria feliz com minhas alunas, estaria realizada. Só viria as vezes ao Rio de Janeiro visitar meus pais e passear. Mas então eu sempre ia me perguntar se eu seria mais feliz se tivesse escolhido me mudar.


E mesmo depois que eu vim para o Rio de Janeiro, eu poderia ter escolhido a vida estável de uma Faculdade Particular e algumas horas de dança em uma academia perto de minha casa. Talvez eu tivesse empregada, talvez eu tivesse com um carro. Talvez eu ficasse arrependida pelo resto da vida de não ter ido estudar em uma Universidade Federal e realizar meu sonho. 


O que importa mesmo é que em qualquer outro lugar que eu estivesse eu estaria me questionando sobre como eu seria se tivesse feito outra escolha, se tivesse seguido por outro caminho. Quantas outras de mim mesma eu já tive a oportunidade de me tornar e deixei para trás? Quantas outras pessoas eu deixei de conhecer, ou me afastei, ou se afastou por causa de uma escolha, por causa de um caminho, por causa de uma ideia diferente. Quantas outras pessoas já passaram pela minha vida e se foram, e seguiram caminhos diferentes do meu? Seja por minha escolha, seja pela escolha de outro. 

Na verdade eu sempre vou achar que poderia ter sido mais feliz, que poderia ter aproveitado mais, que poderia estar me sentido mais inserida, que poderia ter mantido pessoas ao meu lado, que poderia... que poderia.. que poderia. 

Apenas o que tenho certeza sobre tudo isso é a gente sempre tem uma escolha a fazer, mesmo que a escolha seja não mudar nada. Mesmo não mudando nada, você ainda continua a escolher o caminho da não-mudança. O que tenho certeza é que nunca termos certeza sobre nada que escolhermos, que nunca teremos certeza sobre o que seria SE fosse uma coisa ou outra. 


O mais importante se todos esses SE'S que deixamos para trás é quando vemos em nossa frente algo que nos trás um sorriso nos lábios, daqueles que vem sem a gente perceber e que é impossível conter. Ter a certeza se esses sorrisos chegariam com mais frequencia se eu tivesse feito isso ou aquilo eu nunca vou saber, mas eu sei que o sorriso está aqui e isso é suficiente. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

sobre morrer

um daqueles textos copiados e clichês. 
mas que nos faz refletir sobre uma vida que PRECISA ser vivida, porque inevitavelmente e quando a gente menos espera ela acaba. ENTÃO VIVA!



A morte, por si só, é uma piada pronta.
Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta ideia: MORRER!
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente... De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis.
Qual é? Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
Ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça. Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Sempre!
Pedro Bial

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

essa metamorfose ambulante

Fiquei pensando em um modo de escrever um monte de coisas que gritam dentro de minha cabeça sem ser vulgar, sem ser clichê e sem parecer aquele monte de baboseiras idiotas que ninguém costuma entender nem se interessar.
Mas é que na real acho bem difícil viver. E ainda assim sou absolutamente apaixonada pela vida.

No decorrer de de minha vida criei uma série de teorias e certezas sobre a vida. Aprendi o que era certo e errado. Aprendi o que era mal e o que era bem. Criei uma série de convicções que ao meu ver criavam que eu era. E de certa forma todas essas ideias contruiram quem eu sou hoje. (só que ao contrário)
Eu sempre tive horror a qualquer tipo de mudança. Eu adiava todas elas o máximo que podia. Eu gostava da rotina, da segurança, da certeza. eu gostava de chegar em um lugar e conhecer exatamente cada pedacinho dali, de saber exatamente o que eu precisava fazer. Eu planejava tudo e em minha cabeça eu tinha tudo em minhas mãos. Eu podia dominar o mundo se quisesse naquela época. Eu pelo menos eu achava que podia.
Então veio a maior mudança, aquela que por instinto eu sempre achei que fosse acontecer. Aquela que eu aceitei, que eu fiquei feliz, veio a mudança que eu gostei porque era a unica que eu queria.
Não sei bem como nem quando o medo de mudar passou. Não sei como nem quando isso influenciou quem eu me tornei hoje. Quando eu me dei conta a mudança já fazia parte de mim, quando eu me dei conta eu já gostava disso.
E junto da mudança veio a descontrução de todas as teorias, uma a uma. Como uma fileira de dominó que cai em efeito cascasta. uma por uma, uma atrás da outra. A mudança me proporcionou uma nova visão de vida. O convivio com as novas coisas me proporcionou um novo senso de realidade. Não acredito em metade das coisas que acreditava, a outra metade tenho dúvias.
Tenho apenas duas certezas na vida: 1-vou morrer 2-Deus existe
Todas as outras coisas são relativas, mutáveis e discutiveis.
Acho que é tudo uma questão de mudança, de mudança de habito, de mudança de ângulo (e porque não?) de mudança de gosto.
Comecei a me questionar de tudo que eu achava errado e tanta gente perto de mim fazia. Comecei a me questionar sobre tudo que eu acredtidava piamente e que talvez nunca tivesse feito sentido. Comecei a me questionar se alguma coisa realmente faz sentido nessa vida.
chegar em casa as 5, 6, 9 horas da manhã depois de ter saído as 22h é de fato errado? São apenas marginais que ficam na rua até essa hora? Será mesmo que todas as pessoas nascem com uma pré-destinação? Drogados são todos vagabundos? Jornais populares não fazem jornalismo sério? Esquerda é errado e direita é certo? Porque eu não posso usar um micro-shots e posso usar uma calça de ginastica? Porque é considerado errado acordar as 11h da manhã? Porque a gente chega aos 20 e tem que NECESSARIAMENTE estar namorado? Porque mesmo a gente precisa namorar um tempão antes de casar? Porque eu preciso ler o jornal todos os dias e saber de tudo que acontece no mundo? Porque eu preciso saber a formula da velocidade média se eu nunca vou precisar calcular isso? Porque eu nunca posso chorar em publico, nem ficar doente, nem estar depressiva, nem estar sorrindo a toa?
E tantas outras regras que a sociedade vai nos ensinando e que ninguém questiona nem pensa sobre isso. Acho que tenho aprendido a aceitar, aceitar é tudo que tenho feito e lutado para conseguir. Aceitar sem pré-conceitos, sem pré-julgamentos, aceitar simplesmente assim.




Parei de me questionar sobre quem eu sou, ou quem serei, ou o que eu quero. Parei de ter uma velha opinião formada sobre tudo. Gosto de estar em constante mudança. Gosto de fazer merda e saber que nunca mais vou repetir isso, mas que pelo menos fiz. Gosto de ter histórias pra contar. Gosto de ter listas de lugares que conheci. Gosto de viajar, de conhecer, de explorar. Como bem disse Raul: "Se hoje eu te odeio/ amanha lhe tenho amor." E essa é a graça da vida, a metamorfose, a mudança. Pelo menos eu só aprendi a graça da vida depois de gostar e parar de ter medo de tantas mudanças.
Parei de pensar sobre o que as pessoas vão pensar de mim. Aquelas que realmente importam vão dizer isso na sua cara. Se realmente importar o que elas estão dizendo eu vou (re)pensar o assunto e tomar atitudes ou não e relação a mudanças. EU vou mudar e mudar de novo. E de novo. E de novo. Até que... até que eu morra, porque nada mais chato do que a rotina.

não sou nada daquilo do que achei que fosse me tornar. não sou nada daquilo do que era. não realizei nada daquelas teorias e idealizações que fiz um dia. mas sou muito mais feliz do que imaginei que fosse possível. e tudo isso muda,
"Eu quero dizer,
Agora, o oposto do que eu disse antes"

terça-feira, 24 de julho de 2012

quinze, o último

Já estou no Rio desde o dia 11/07 mas estava evitando finalmente terminar esse diário de bordo. Talvez porque enquanto eu não fizesse isso em minha cabeça a mobilidade não acabaria, sei lá. Parece difícil imaginar a realidade ruralina outra vez. Mesmo já tendo ido a Seropédica, mesmo já tendo me estressado com meus amigos, mesmo já estar estudando comunicação de novo. Mesmo já tendo deixado a UFSC pra trás.
O balanço que preciso fazer desses quatro meses que passei longe de casa é o post que li no blog de uns amigos da UFSC.

"(...)E é nessas horas que você se dá conta de como é insignificante comparado ao tamanho do mundo. Ou que o mundo é pequeno demais para caber todos os seus sonhos. Depende de como se olha.

Você se dá conta que pode viver perfeitamente bem no mundinho em que você está e que tudo é estável. Mas algo falta. Quando você parte para outra cidade ou país, acha rapidamente os defeitos e virtudes do local. Admira, mas sente falta do lugar da onde você era.

Quando seu ciclo de amizades se transforma, você fica feliz por conhecer novas pessoas. Vê que existem milhares de homens e mulheres diferentes por todo o mundo. Ainda assim, sente falta daquele seu amigo retardado que só falava besteira.
(...)
Deseja que seus diferentes círculos de amizade fossem reativados e que você pudesse falar com todos. É quando se dá conta que nada disso é possível e que você não consegue se adaptar a lugar algum. E nem quer ser assim tão adaptado.

Nenhum lugar é tão perfeitamente feito pra você. Mas nenhum lugar também é tão ruim. Você não tem mais uma zona de conforto e seu “status quo” é único e exclusivamente, você mesmo.

E nessas horas que você consegue perceber a dimensão e beleza de cada lugar, de cada rosto, de cada sorriso. É assim que você aproveita mais o ambiente em que trabalha ou se diverte muito em uma simples saída com os amigos para comer cachorro quente. Tudo se torna melhor, mais bonito, mais crítico e também mais difícil.

Quem sabe isso seja apenas uma desculpa para aqueles que gostam de se aventurar, viajar, conhecer o mundo. Mas você já se perguntou até quando vai durar o mundinho em que você está tão perfeitamente feliz? E o que vai fazer depois disso? O que vai ser da sua vida?(...)"


leia aqui o texto completo

Voltei a mesma pessoa, voltei uma pessoa diferente. Não sei diferente em que, nem o quanto essa diferença vai gritar. Me sinto melhor, mais feliz, me sinto mais dona do mundo e ao mesmo tempo sinto que ele é tão grande que nunca serei capaz de ser dona nem de mim mesma. Mesmo assim tenho evitado meus amigos da UFSC, tenho evitado olhar fotos e sentir saudades. Tenho preenchido meu tempo com o máximo de coisas que consigo (isso não tem sido muito difícil, tenho feito nada e tudo nesses dias). Mas sei que um dia a saudades vai chegar desesperadamente e eu vou ter que sentir. Mas sei lá, as vezes acho que ela nem dói tanto assim mais. Até que ela chegue claro.
Não quero comentar sobre minha grande experiência profissional, porque tudo que relatei nos últimos meses por aqui... Mas mesmo aprendendo tantas coisas sobre minha futura profissão eu ainda aprendi coisas sobre a vida. O que mais me chamou a atenção e que eu preciso compartilhar aqui é que a gente aprende a fazer as coisas, ninguém nasce sabendo. Claro que tem um ou outro que nasce com o dom, mas isso não me impediu de aprender e estar caminhando para ser boa. A repetição leva a perfeição. Nunca acreditei muito nessa coisa de aprender a fazer, até que provei para mim mesma que seria capaz e acho que fiz um bom trabalho no final das contas.

E só para concluir, eu não quero prolongar demais, tudo em nossas vidas deixa marcas. Tudo que vivemos, aprendemos, sentimos, absolutamente tudo nos modifica, nos influência de alguma forma. E sempre deixamos um pouco de nós e sempre levamos um pouco dos outros.

Tchau UFSC, o sonho acabou.


a história toda

segunda-feira, 9 de julho de 2012

14: a úlltima aula

4 meses e 3 dias eu entrava na mesma sala que hoje está sendo minha última aula.
a turma que me acolheu aumentou um pouquinho, tá a maioria das pessoas dentro da sala.
estamos ouvindo o trabalho final de radiojornalismo I, ah como deu trabalho, mas parece que tá todo mundo satisfeito com o resultado final. bons trabalhos, bons sorrisos, boas lembranças... e quantas lembranças.
me sinto um pouco melancólica de ter que dar tchau, de ter que lagar tudo isso, de ter que acordar desse sonho.
hora pesadelo, hora sonho hora felicidade, hora tristeza.
cheguei uma universitária e vou embora, bom ainda sou uma universitária... mas aprendi mais, cresci mais, entendi mais, e continua com várias dúvidas. fiz alguns programas, comprei roupas novas, aprendi a editar algumas coisas, estou falando com um sotaque diferente, escrevi pouco e li muito, fiz amigos desses que a gente vai levar pra sempre. ou talvez daqueles que a gente vai guardar pra sempre. e vai ficar apenas na lembrança.
continuo sem saber sobre meu destino, continuo sem saber minha vocação. acho que tenho aceitado que posso fazer o que precisaram que eu faça.
hoje estou com minha baby-look do jornalismo da Rural, vesti ela para me lembrar que pertenço a esse lugar e quando cheguei na UFSC vesti o agasalho do Jornalismo UFSC, tal vez para que eu me lembra que estou levando um pouco desse lugar comigo, e espero estar deixando um pouco de mim aqui.
tudo que estou tentando fazer é escrever dentro da sala tudo o que aprendi/senti nesse tempo estudando em um lugar que não é meu.
e talvez tudo que estou conseguindo concluir é que qualquer lugar pode ser meu. Principalmente quando se encontra no caminho pessoas que realmente querem que você passe a participar da vida dela.
acho que sou uma pessoa de sorte, encontrei boas pessoas, fiz bons amigos, aprendi boas e muitas coisas.

Parece cômico eu terminar e começar o semestre no mesmo lugar, parece cômico eu começar e terminar o semestre com a mesma turma, aquela mesma que eu fiz os melhores amigos, aquela mesma que eu vivi os momentos mais tensos e aqueles que vou guardar para sempre. Talvez seja só predestinação. Talvez seja só destino.
Chegou a hora de ir embora, chegou a hora de deixar tudo isso para trás e voltar para o lugar que me ensinou a ser alguém, e voltar para as pessoas que me ajudaram quando eu mais precisei. chegou a hora de conviver diariamente com a saudade, chegou a hora de... ir. enfim o fim. 
só não achei que chegaria a hora tão rápido. 

vou tentar escrever antes de subir no avião, mas ainda assim, as emoções já se misturam, a despedida já se aproxima, mais um capítulo da minha história está chegando ao fim. 
esperei tanto pelas férias, e quando elas chegam eu penso que talvez poderia durar mais um pouquinho...

Obrigada UFSC, Obrigada Jor, Obrigada 11.2, Obrigada meninas do SAFC, Obrigada a todos aqueles que estiveram comigo, que me ajudaram, que confiaram em mim. 
é só agradecer o que eu preciso. 
obrigada, obrigada, obrigada. 

a história toda

terça-feira, 3 de julho de 2012

devaneios da madrugada

comecei a escrever sobre a vida.
sobre todos os milhões de sentimento que permiam minha cabeça e meu coração diariamente.
sobre mais um daqueles post melancólicos e dramáticos que não farão sentido nenhum daqui uns meses. ou que até farão, mas que eu vou achar tudo uma idiotice de novo.
porque sentimentos vão e voltam e depois que eles vão agente acha que nem foi tão forte e devastador quanto pareceu na hora.
porque eu faço com que todos os sentimentos sejam excluídos, sejam exterminados. é melhor para todos, é mais fácil para mim.
tem sido cada vez mais difícil me concentrar em outras coisas e deixar tudo isso pra trás, apensar de ter certeza que preciso fazer disso um passado. 
até porque a vida toda é sempre um passado.
acho que é esse o assunto de hoje, o passado, o tempo. parece tudo meio estranho e dramático. parece tudo meio...
ontem era hoje e amanhã vai ser hoje que se tornará ontem. tudo e nada. depois de um monte de anos vivendo a gente morre. e meu maior desespero é morrer tendo simplesmente passado pela vida. por isso me apaixono, por isso aceito, por isso tento dormir pouco, por isso tento desfrutar de tudo, por isso tento me privar de nada, por não guardo dinheiro. eu vou morrer afinal e toda essa maravilha de vida vai acabar. por isso agradeço todos os dias em continuar a respirar. por isso morro de vontade de fazer as maiores loucuras e mais do que isso, busco sempre estar ao lado das pessoas que fariam todas e qualquer loucuras por mim, para mim e comigo. por isso tento fazer todas e qualquer loucuras para, com e por aqueles que eu acho que vale a pena. 
afinal é tudo uma loucura. e todos deveriam participar dela, se entregar a ela.


ainda assim é tudo uma contante contradição, porque eu comecei esse post dizendo que bloqueio sentimentos, que não vivo, que prefiro esquecer e fingir que nada aconteceu. prefiro deixar no passado e continuar sorrindo.
talvez porque sorrir e viver intensamente seja algo que deveria ser sinônimo, embora não seja. ainda assim eu costumo acreditar que são e continuo sorrindo, e continuo bem, e continuo feliz. mesmo que não seja nada disso, mesmo que seja tudo isso junto. 
acho que cada um tem seu jeito de viver, acho que cada um tem seu jeito de encarar a realidade, não sei o que é certo ou errado. não sei o que é bom ou não. não sei se vou morrer feliz vivendo assim, desse jeito inconstante e contraditório.só sei que tudo que tenho buscado é felicidade, só sei que tenho feito apenas as coisas me deixam com um sorriso no rosto por uma semana depois de ter durado apenas 1min. porque eu acho que são elas que valem a pena. mesmo assim continuo bloqueando. o bloqueio é a forma que tenho de tentar continuar sorrindo, de tentar continuar vivendo, de tentar não simplesmente passar pela vida. e vai continuar assim, até que alguém me prove ser tão louco quanto eu e que eu tenha certeza que vale a pena.

domingo, 17 de junho de 2012

capítulo treze

senti uma vontade dilacerante de parar tudo que estou fazendo, tudo que preciso fazer para escrever.
não sei bem o que, nem porque.
a única coisa que tenho certa até agora é que daqui a exatos 33 dias eu estarei no Rio de Janeiro as 19:50h (agora).
e mesmo eu ainda tendo tanta coisa para fazer nesses 33 dias, tudo parece que está correndo por minhas mãos e eu não consigo fazer com que isso se eternize de alguma forma. talvez por isso a vontade de escrever.
as coisas em Florianópolis andam cada vez melhor e isso me chateia. as pessoas andam cada vez mais legais e isso me entristece. seria muito mais fácil se tudo tivesse difícil, se todas as pessoas continuassem em seu particular mundo. sem se envolver demais, sem possíveis saudades futuras.
mas nunca disseram que seria fácil e a cada dia que entro pelo corredor de pisos branquinhos do JOR UFSC eu me sinto pertencendo ainda mais àquele lugar. Cada domingo em casa vendo um filme ou fazendo qualquer besteira para comer eu me sinto cada vez mais pertencendo a esse lugar. Cada chuva que chega e me faz estender as roupas no varal de dentro eu me sinto cada vez mais aceitando que minha roupas vão demorar a semana toda para secar e que Florianópolis é assim mesmo. Cada meio de mês que chega e eu vejo que não tenho mais dinheiro eu me sinto cada vez mais na realidade de uma cidade rica, com pessoas ricas (ou não).
e cada mudança é um novo aprendizado, e cada mudança é uma nova saudade. acho que aprendi a julgar menos pela aparência. quando cheguei na UFSC achei que nunca fosse me acostumar a realidade do Jornalismo daqui. Achei que nunca fosse gostar dessas pessoas estranhas que aparentemente não gostavam de mim. mas daí veio uma turma de Calouros B e me fez de alguma forma me sentir inserida. JOR 2011.2. um monte de gente perdida, sem saber direito o que fazer nem porque está ali, talvez por isso tenha dado certo comigo né... Mais ou menos como a minha indecisão constante e eterna.
não sei nem quando, nem como aconteceu, mas sei que eu passei a me considerar eles, e eles meio que me adotaram. e me inseriram no resto do JOR. e claro que há algumas pessoinhas fofas que levarei para sempre e que não é 2011.2, mas talvez eu só tenha tido contato com elas porque eles me ensinaram de alguma forma a sobreviver no JOR UFSC.
preciso comentar que calei minha boca com muita gente que achava insuportável, e talvez esse tenha sido meu maior aprendizado de intercambista. conhecer antes de pré-julgar ou de não curtir porque não fui com a cara, ou porque disse alguma coisa que eu não concordei. a maioria dessas pessoas que eu pré-julguei me impressionaram e me fizeram morder a língua milhares de vezes. cada um tem seu jeito, sua criação, seus costumes, cada um está evoluindo e aprendendo tanto quanto eu todos os dias.
enfim, não estou encerrando meu diário e bordo, até porque muita coisa pode rolar em um mês. só preciso agradecer publicamente a 2011.2 por terem me adotado, por terem me suportado, por terem me ensinado, por terem simplesmente me aceitado. cara, sério, vocês são demais! e eu já estou morta de saudades.

enfim Florianópolis, enfim a UFSC. enfim o (quase) fim


veja a hirstória toda dessa intercambista maluca

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A favor da greve

Como jornalista eu deveria noticiar e relatar o que está acontecendo. EU deveria falar que 47 instituições de ensino superior federal estão em greve em todo país. E que isso resulta em mais de 1 milhão de alunos sem aula.
Como jornalista eu deveria explicar que os professores lutam pelo aumento do piso salarial, reestruturação de carreira e melhorias nas condições de ensino nas universidade desde o ano passado com o governo federal. E que pelo andar das coisas o governo não pretende ceder tão cedo sobre a restruturação de carreira e afins.
Mas na verdade eu preciso contar sobre mim. Até porque, esse é o intuito do blog.
Eu nunca entendi direito a greve sabe? Sempre achei uma idiotice as pessoas pararem de trabalhar para conseguir aumento ou outros direitos. Pensava aqui com minha ignorância que isso só deixaria os 'patrões' mais chateados e fariam com que eles ficassem mais bravos. Sempre achei que se você quisesse ganhar mais precisava trabalhar mais para isso. AH, doce ilusão romântica sobre o capitalismo que colocam em nossas cabeças.
Mas eu sempre pensei isso sobre a greve, talvez porque eu sempre relacionava com o ato de ficar em casa, esperando que alguém fizesse alguma coisa.
Claro que hoje em dia já aprendi o motivo e justificativa da greve, hoje já aprendi que não é trabalhando mais que se consegue direitos. E que a greve é uma medida extrema que deve ser tomada quando realmente não há outra saída.
Não vou envolver motivos pessoais que com certeza me faria ir contra a todas as alegrias e orgulhos que vou expor aqui. Não vou falar sobre o fato que simplifica muito mais as coisas para mim (em específico e nesse momento) o fato da UFSC não estar em greve. O mais importante nesse momento é falar da greve em sim.

Costumamos acreditar em algo porque vimos ou fizemos com que isso desse certo. Nunca tinha visto nenhuma greve em Universidades Federais tão de perto.
Acredito que a única forma de conquistar depois de não conseguir com negociações é ocupando e chamando a atenção. Já tinha comentado com as pessoas em relação a outras vivencias (dentro da Universidade inclusive). Ainda assim, só temos votos diretos hoje graças a um bando de estudantes malucos que foram as ruas pedir as Diretas Já.


Cheguei a acreditar que esse tipo de movimento não aconteceria mais. Ver os alunos de diversas universidades do país decretando GREVE foi emocionante, pelo menos pra mim. Ver esse vídeo, com tantas pessoas, com tantos JOVENS me fez ter uma esperança sobre um futuro. É claro que esses em torno de 2 mil pessoas que compareceram aí é praticamente insignificante perto de 1 milhão de alunos sem aula. Mas podemos ver atos como esses em todo o país. Hoje, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro fechou uma BR para protestar. TODAS ESSAS PESSOAS A FAVOR DA EDUCAÇÃO;
acho sinceramente lindo! Porque eu sempre acreditei que uma educação melhor é a chave para todos os problemas do país.
Aumentar significantemente o número de vagas nas instituições federais e não dar condições se quer para os professores darem aula não quer dizer progressos nenhum. Aumentar o número de vagas e se quer liberar contratação de professores não faz Universidade nenhuma de qualidade. Aumentar vagas e não dar condições de ensino, pesquisa e extensão não  trás excelência a ninguém.
PEDIMOS QUALIDADE DE ENSINO E NÃO QUANTIDADE DE VAGAS.

acredito sinceramente que atos de greve com manifestações chamam a atenção e resolvem problemas.

domingo, 20 de maio de 2012

12: como escrever um texto jornalístico básico

Os parágrafos precisam ter de 5 a 7 linhas.
Você vai precisar de MUITA informação. O máximo que puder.

1° parágrafo: lead. a parte mais importante da notícia. terá três frases.
                1° frase: longa e forte. Dizer o que aconteceu, geralmente com quem e onde. Mas isso pode mudar, é sempre o mais importante que deve aparecer aqui.
                2° frase: apoia a primeira, dá informações complementares. Geralmente como se deu, quais foram as consequências.
                3° frase: perspectiva do acontecimento.

2° parágrafo: desenvolver um tópico frasal, retornar ao gancho dando mais informações, Explorar as informações. Elas sempre aparecem de acordo com sua relevância. Os demais parágrafos vão nessa mesma linha. Não há uma quantidade certa, depende da massa de informação que você possuir.

3° ou último parágrafo: informações burocráticas do tipo organizadores, horários de funcionamento, telefones, sites,contatos. Tudo isso sempre por último.

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fotos do passeio de sábado, em Praia da Armação - sul da ilha de Florianópolis







sábado, 12 de maio de 2012

11: um decreto

não sei se caiu a ficha que já passou metade do meu tempo aqui. não se se precisava passar um tempo com a natureza depois de uma semana estressante. Só sei que na sexta eu decidi que colocaria a mochila nas costas e  entraria num ônibus que eu não tinha ideia de onde me levaria.
E foi exatamente o que fiz.
Hoje de manhã acordei, coloquei biquíni, um short jeans, um camiseta e um agasalho. na mochila coloquei uma câmera fotográfica, uma canga, umas comidas, água, um livro, fones de ouvido com música. E saí. Eu tinha um foco:o norte da ilha e de lá eu iria para qualquer lugar que o ônibus me levasse.
Entrei em um Praia Brava e adorei quando percebi que era longe, as praias mais longes são sempre as mais bonitas!
Enfim eu colocarei fotos do paraíso que encontrei. Mas a conclusão que cheguei é que me faz bem. Que me deixa alegre, feliz, disposta. A conclusão que cheguei é que os ''manezinhos'' não aproveitam o lugar maravilhoso que moram (porque a praia estava vazia, o tava sol!).
E decretei para mim mesma: nos próximos dois meses sábado vai ser dia turismo. Vou pra onde o ônibus me levar, vou  pra onde me indicarem, vou pra onde estiver acontecendo alguma coisa. Vou, simplesmente vou.
Tá todo mundo convidado, sábado é dia de turismo na ilha! Vem também!
E mesmo que não tiver ninguém por perto, eu ainda tenho uma mochila e uma maquina fotográfica junto de mim. Todas as coisas em volta são apenas um bônus que encontrei pelo caminho.
Não vou descrever, as fotos vão dizer muito mais que eu! (tenho vontade de colocar todas, mas vou me conter)











acompanhe a história toda

sábado, 5 de maio de 2012

um vício

Hoje fiquei durante duas horas dentro de uma livraria, sem se preocupar nem me dar conta do tempo.
Fiquei subindo e descendo escadas, olhando livro por livro. Estante por estante. Me perdi no tempo e no espaço. Como se algo me chamasse para dentro, como se algum imã me puxasse cada vez mais pra dentro.
Já fiquei mais que duas horas perdida em meio a livros, estantes e autores. Já fiquei mais que duas horas mergulhada em uma história, em meio a centenas de páginas e personagens.
Ler é como viajar sentado no sofá, na cama, ou na poltrona de um ônibus. É fazer amizades e viver a vida de pessoas imaginarias, com super poderes ou com sofrimentos que nem você mesmo suportaria. É adquirir experiência sem precisar se dar mal depois te ter feito uma burrada. Ler é se envolver em uma história ao ponto de chorar, gargalhar e até sentir medo enquanto o personagem em questão sente todas essas sensações.
Eu sempre tento explicar, sempre tento entender, sempre tento me colocar no lugar. Mas na real, a experiência que se tem com um livro é única e intransferível. A imaginação que me faz ler um livro e mergulhar nele é certamente diferente porque possivelmente você leu o mesmo livro e não acho de todo inspirador e envolvente quanto eu.
Nenhum livro é ruim, se você não gostou de algo que leu é porque simplesmente aquilo não foi escrito para você.
Minha paixão pelos livros começou com um tal de Menino Maluquinho, de Ziraldo. Depois ela passou por uma tal de Meg Cabot e nesse momento aí até tentaram enfiar em minha cabeça alguns 'clássicos' de Machado de Assis ou José de Alencar. Alguns foram digeríveis. Outros não. Ultimamente ando lendo tudo que me indicam, tudo que vejo na frente, tudo que seja de fácil acesso. Alguns eu gosto, outros não.
Mas é como uma droga, que vícia, que é necessário, toda hora, todo momento. Eu preciso estar lendo algum livro. Eu preciso de uma cabeceira ocupada por um livro. Eu preciso ter livros novos na estante, mesmo sabendo que vai demorar para le-los. Eu preciso ter uma estante lotada, cheia, explodindo de livros. Muito mais do que eu preciso ter uma sapateira lotada por exemplo. Sim, eu tenho mais livros que sapatos. Eu adoro sebos, adoro o cheiro de livros velhas e as páginas amareladas. Eu adoro bibliotecas e todas aquelas estantes gigantes cheia de novas histórias, de novas coisas para conhecer. Eu pararia tudo que estou fazendo por uma boa literatura, por um bom texto, por uma boa conversa entre eu e mais umas 700 páginas. Eu deixaria de dormir por um bom livro (como já deixei algumas vezes).
Tudo meio louco demais. Mas não seria um vício se não fosse louco e incompreensível.